Desde o fim do século XX, o sistema capitalista tem reiterado incessantemente o discurso sobre a necessidade de “adaptações” e “mudanças” nas relações de trabalho. Em “É tudo novo”, de novo, o professor de economia Vitor Filgueiras analisa essa narrativa das “grandes transformações”, tão repetida no capitalismo contemporâneo, apresentando seus argumentos e suas contradições, de modo a desnudar seus verdadeiros objetivos: a legitimação da destruição de direitos trabalhistas e o aprofundamento da assimetria entre capital e trabalho. Os argumentos empresariais em torno da inovação defendem que o padrão atual de políticas públicas e ações coletivas relacionadas ao trabalho é inexoravelmente anacrônico e, para evitar um desastre no mercado de trabalho, seria preciso “flexibilizar” e “modernizar” os trabalhadores e as legislações trabalhistas. Embora predatórias, essas narrativas são tão poderosas que acabam sendo assimiladas por parcela importante de trabalhadores e instituições, ajudando a criar uma espécie de “profecia autorrealizável” à medida que são reproduzidas. Em uma linguagem acessível, o livro enfatiza a importância de não assumirmos como verdadeira a retórica capitalista dominante, o que possibilita que as forças do trabalho abram espaço para a criação de alternativas à pauta do capital.
A obra expõe aos olhos atônitos do leitor relatos comovedores, descrições de violências psicológicas e físicas e assassinatos em diversas propriedades rurais que recebiam financiamento público através da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia. Trata-se de um estudo sobre depoimentos de pessoas fugitivas ou resgatadas de fazendas e, ocasionalmente, de carvoarias, no Pará, colhidos por dedicados defensores de direitos humanos. Os autores ouviram alguns deles e trouxeram para o livro também suas impressões. A maioria dos depoimentos foi transcrita ipsis litteris. Os quarenta anos dos depoimentos refletem as mudanças nas políticas públicas, no tratamento do tema da escravidão pela sociedade civil e pelo Estado e apontam as políticas públicas que foram construídas. Refletem também as mudanças tecnológicas e o aparelho celular como um dos instrumentos de denúncia. Nas décadas de 1970 e 1980, a Comissão Pastoral da Terra era uma das raras instituições que bradavam contra o crime. A partir de meados da década de 1990, finalmente, houve aumento de sensibilidade para o problema em alguns setores da sociedade e, no início do século XXI, mudanças legislativas e, pelo executivo, a promulgação de planos nacionais de enfrentamento ao crime. Mas o problema persiste...
A trama da modernidade é resultado de um projeto de pesquisa que visa analisar o sistema de orientaçao do sindicalismo brasileiro no curso do processo de transiçao do autoritarismo a democracia politica.
Este livro mostra, sinteticamente, o que é o trabalho infantil e até que ponto ele é um instrumento de manutenção da pobreza. Apresenta esforços que vêm sendo feitos para combatê-lo e explica a importância de sua erradicação.
O reino da liberdade começa com a redução da jornada de trabalho. Esse pensamento de Karl Marx é o mote do presente livro. Neste volume, acompanhamos a história da luta operária pela jornada de oito horas, que teve como resultado uma progressiva redução do tempo de trabalho ao longo de todo o século XX, e entendemos por que essa conquista se encontra ameaçada. Com o alvorecer do século XXI, é o reino da não liberdade que se expande com incrível furor, o que torna premente o retorno dessa pauta para a luta dos trabalhadores de todo o mundo.
Ao observar o fenômeno das migrações internas dos trabalhadores deste país de dimensões continentais, o autor começou a levantar hipóteses para tentar explicar este fenômeno com base em três evidências concretas: grande parte dos migrantes tem profissões mal remuneradas; as migrações intensificam-se em períodos de recessão econômica; as migrações geraram movimentos como os dos "bóias-frias" e dos trabalhadores nômades.
Este livro é uma contribuição ao estudo da psicopatologia do trabalho e da prática de programas preventivos ligados ao uso abusivo de álcool e drogas nas empresas. Trata-se de um estudo aprofundado, tanto teórico quanto prático, do estudo das relações relativas à interface entre o consumo abusivo de álcool e sua relação com o trabalho. Alcoolismo no trabalho é uma produção que se insere na visão de como o ambiente de trabalho – hipótese demonstrada a partir da pesquisa com trabalhadores de uma instituição universitária – por um lado, pode ser palco de intervenções, terapêuticas ou mesmo patológicas, e, por outro, pode atuar no plano da prevenção primária do alcoolismo entre os trabalhadores. Um ponto alto deste livro é a análise do caso dos mestres cervejeiros, a partir de outra brilhante pesquisa desenvolvida por Magda Vaissman, que nos demonstra, pela primeira vez, situações em que o alcoolismo pode ser considerado uma doença adquirida no exercício profissional.
Saúde Trabalho Justiça: Poemas Longos e Curtos Ensaios e Tentativas
A publicação desta segunda edição do livro-cartilha do italiano Ivar Odone vem à luz 34 anos após seu lançamento no Brasil e constitui-se numa iniciativa oportuna e necessária nesse momento em que uma nova reestruturação produtiva vem acompanhada de novas, rápidas e grandes mudanças nas maneiras de se comunicar e trabalhar, de pensar e sentir; enfim, de viver em sociedade. A presente edição foi ampliada com grande competência por um cortejo de textos de autores brasileiros que expõem e analisam a (re)apropriação dos preceitos, postulados e instrumentos de intervenção elaborados nesse livro-cartilha. Avaliam, ademais, seus usos em experiências concretas e as contingências e oportunidades de uso na realidade brasileira dessa proposta pensada para a Itália dos anos sessenta do século XX. A leitura desse livro torna-se obrigatória para todos os técnicos, pesquisadores, educadores e trabalhadores, em geral, interessados nas questões que se referem à Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras em suas dimensões coletivas e singulares. Nesse sentido, uma leitura atenta percebe sinalizações da necessidade de aprofundar o entendimento de um conjunto de elementos articulados no plano das ciências, das técnicas e humanidades, que atuam na determinação dos processos de saúde e doença que atingem a classe trabalhadora. Essa é uma dimensão sempre presente na leitura e uso da proposta do texto! — Anamaria Testa Tambellini
Esta publicação tem o objetivo de divulgar os resultados obtidos nos três primeiros anos de existência do Programa de Avaliação Pós-Ocupação (APO) em edições da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O livro apresenta, resumidamente, oito experiências de APO na Fiocruz em edifícios de laboratórios de pesquisas biomédicas e de análises clínicas, un idades assistenciais de saúde, áreas administrativas e de ensino.
Com o avanço de tecnologias impulsionadas por inteligência artificial e aprendizado de máquina, um leque cada vez mais amplo de atividades humanas está sendo automatizado. Por robôs que “pensam”, que conversam e, sobretudo, aprendem a aprender sozinhos. A chegada das máquinas inteligentes aos escritórios cria um cenário favorável ao aumento da produtividade, mas eleva o risco de obsolescência profissional. Por isso é hora de aprender a aprender com agilidade – ou seja, de ser um aprendiz ágil. Gestores de pessoas e profissionais de RH têm, mais do que nunca, a responsabilidade de estimular colegas, subordinados, times e empresas a desenvolver novas habilidades e competências. Todos nós, porém, precisamos nos envolver na geração de oportunidades de aprendizado. A aprendizagem precisa mudar de lugar na nossa vida porque já mudou de lugar no nosso mundo. A multiplicidade de alternativas trazida pelas tecnologias nos exige cada vez mais a habilidade de sermos curadores de nossa jornada. Mais que isso, somos chamados a contribuir para a construção de ambientes em que as pessoas aprendam mais e melhor. O tempo todo.
Assim, temos, na primeira parte – Trajetória – dois textos que contam, indiretamente, um pouco de sua trajetória pessoal e profissional: Resumo de um projeto de pesquisa em curso sobre “influência do fator humano nos acidentes de trabalho”, apresentado por Marco Antonio Bussacos, e Três lições do professor Wisner, comentado por Leila Nadin Zidan. Na parte 2, Sindicatos, são apresentados escritos que apresentam reflexões sobre as contribuições possíveis de análises do trabalho à representação sindical e sua luta em favor dos trabalhadores. O primeiro texto, escrito a quatro mãos com Catherine Teiger e por ela apresentado, discute as relações da ergonomia da atividade com a formação sindical e a atuação para a melhoria das condições de trabalho. No segundo texto, apresentado por Marianne Lacomblez, Leda discute A Análise Coletiva do Trabalho e os sindicatos. Este conjunto destaca sua influência como pesquisadora e intelectual junto a grupos de pesquisa de outros países, notadamente na França, Portugal e Canadá. Encerram esta parte dois trabalhos – Quatro seminários de ergonomia para sindicalistas, no qual Leda discute as estratégias de ensino adotadas para o debate sobre a Norma Regulamentadora 17, de Ergonomia, com representantes sindicais; e Em defesa das pausas no trabalho, apresentado por Maria Cristina Gonzaga, que foi preparado para um livro publicado pelo DIESAT.. Em Teoria e Métodos são apresentados textos que discutem questões teóricas ou metodológicas relevantes para a análise do trabalho. São eles: Trabalho em turnos: temas para discussão, com apresentação de Elizabete Mendonça; Quam artem exerceas?, apresentado por Tarcisio Buschinelli; Sobre a enquete operária de 1880, de Karl Marx, apresentado por Daniela Sanches Tavares; A Psicodinâmica do Trabalho e a Análise Coletiva do Trabalho, com apresentação de Laerte Idal Sznelwar. Leda desenvolveu a Análise Coletiva do Trabalho (ACT), método de estudo do trabalho feito em conjunto com os trabalhador
Neste livro, o autor nos apresenta o resultado de sua carreira junto à realidade dos trabalhadores na busca por seus direitos, especialmente o direito ao auxílio-acidente. Sua trajetória é iniciada como advogado sindicalista, na defesa de trabalhadores do polo petroquímico de Camaçari-BA, fato que despertou nele a necessidade de conhecer mais profundamente as demandas e os caminhos que os trabalhadores acidentados precisam trilhar para acessar o benefício concedido pelo INSS. Os interessados na obra encontrarão, portanto, um importante referencial para compreender o atual cenário jurídico,...
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, hoje ainda há 27,6 milhões de trabalhadores, no mundo inteiro, sob diferentes formas de escravidão. Destes, quase quatro milhões estão nas Américas. Neste livro, o autor se propõe a desvendar e explicar essa anomalia social e moral no contexto brasileiro, com base na informação empírica já abundante sobre o tema da continuidade disfarçada da escravidão no período pós-escravista.
De que forma a pandemia agravou as já abissais desigualdades sociais no Brasil, na América Latina e no mundo? Como o capital se comporta diante de uma crise sanitária dessa magnitude? É possível afirmar que a brutal expansão da covid-19 tem preferência de classe, gênero, raça e etnia? Nesta obra, o professor de sociologia do trabalho Ricardo Antunes apresenta diversos textos escritos nos últimos anos que conceituam o atual estágio do desenvolvimento capitalista, em especial no que se refere aos novos modos de sujeição do trabalho. Seu foco principal é interpretar de que forma a pandemia e a gestão Jair Bolsonaro vêm determinar um capitalismo já em crise. Antunes destrincha diversos temas como a relação da pandemia com as reformas trabalhistas feitas nas últimas décadas, o aumento do desemprego, a constante precarização do trabalho e o afrouxamento dos vínculos empregatícios. Retomando o léxico e uma série de descobertas expostos em seus livros anteriores, o autor nos oferece uma análise da conjuntura em que nos encontramos, com seus vieses de raça, classe, gênero etc., sob o pano de fundo de uma análise marxista dos rumos do capitalismo contemporâneo. Escrito sob o calor dos fatos narrados, sem esconder a indignação crítica de que se alimenta, este livro é uma oportunidade de conhecer as grandes linhas do pensamento de um de nossos maiores intérpretes do mundo do trabalho, aplicado quase em tempo real a nosso sombrio dia a dia. No melhor estilo da prosa dialética, comparecem aqui os terríveis suplícios a que é submetida a classe trabalhadora contemporânea, mas também a visão de um futuro melhor que só pelas mãos dela pode ser construído.
A injunção paradoxal impõe ao indivíduo dilemas insolúveis ao lhe exigir objetivos incompatíveis: produzir cada vez mais, com menos recursos, ter espírito de equipe em um sistema hipercompetitivo no qual a avaliação do trabalho é individualizada etc. A passagem para o capitalismo financeiro exacerba essa lógica paradoxal e a propaga nas organizações privadas e públicas. Vincent de Gaulejac e Fabienne Hanique trazem à tona as origens desse fenômeno, na confluência da revolução gerencialista, da revolução digital e da financeirização da economia. A partir de pesquisas realizadas em diversas empresas, os autores analisam a dificuldade de se viver em um sistema paradoxal com efeitos devastadores na saúde mental dos trabalhadores (estresse, burnout, depressão).
0 Projeto Conexões de Saberes sobre o Trabalho integra atividades de ensino, pesquisa e extensão por meio de um novo dispositivo de produção de saberes sobre o trabalho, que em diversos aspectos pode ser assemelhado a uma Comunidade Científica Ampliada, como proposto por Ivar Oddone.
Este livro trata da origem, do crescimento e das transformações de um segmento operário brasileiro que, pelo significado da sua produção no cenário nacional e internacional, tornou-se um caso exemplar das mudanças sociais e econômicas do país nos últimos 60 anos. A abordagem antropológica deste livro centra-se na ótica dos trabalhadores sobre todo esse período em que constroem e são construídos pela Vale. Narra passo a passo a origem, a constituição, o crescimento e a organização desse segmento de trabalhadores.
Partindo da análise de movimentos de protestos sociais contemporâneos, sobretudo brasileiros, e questionando a ideia de que a explicação do mundo do trabalho pela teoria marxista está superada, esta coletânea busca ampliar a compreensão das relações de classe e dos movimentos sociais, assinalando como, ao lado de movimentos sindicais organizados e atuantes, se constituem outras formas de participação e reivindicação que não se vinculam a essas entidades mas que se encontram em um contexto de luta de classes.
Este livro, com prefácio de Luiz Inácio Lula da Silva, traz um olhar sobre as múltiplas e controvertidas experiências históricas dos processos autogestionários da luta dos trabalhadores pelo socialismo, articulando o trabalho e a educação na perspectiva da promoção de um novo fazer produtivo, orientado por ações políticas, culturais, pedagógicas e solidárias.
Este livro procura esclarecer as causas do stress sob o ponto de vista do trabalhador. O autor acredita que a compreensão do stress originário do ambiente de trabalho e sua superação é um requisito necessário para a realização plena do ser humano.
Todo ano, milhares de pessoas são traficadas e submetidas a condições desumanas de serviço e impedidas de romper a relação com o empregador. Não raro, são impedidas de se desligar do trabalho até concluírem a tarefa para a qual foram aliciadas, sob ameaças que vão de torturas psicológicas a espancamentos e assassinatos. Pessoas que têm sua dignidade arrancada por um regime de trabalho escravo. Este livro, organizado por Leonardo Sakamoto, reúne grandes especialistas nacionais e estrangeiros que mostram o que é o trabalho escravo contemporâneo, sua história recente, como ele se insere no Brasil e no mundo, o que tem sido feito para erradicá-lo, e por que tem sido tão difícil combatê-lo. Uma obra necessária, uma ferramenta para uma das mais importantes batalhas de nosso tempo. Afinal, enquanto qualquer ser humano for vítima de trabalho escravo, a humanidade não será, de fato, livre.
O que pode explicar, em pleno século XXI, a permanência da escravidão moderna que se tonou parte constitutiva da tragédia brasileira? Como é possível que, em plena era do trabalho digital e informacional, dos algoritmos, inteligência artificial, big data, internet das coisas, 5G etc, a aberração da escravidão do trabalho persista? É exatamente para ajudar a desvendar essa realidade que Marcela Soares oferece seu estudo. Sua explicação orienta-se pela análise histórica que estruturou a miséria brasileira. País que se gestou a partir do dito “Descobrimento” (quando o correto seria falar em invasão, massacre e devastação). Foi durante o processo de colonização que se gestou uma sociedade senhorial, escravista, patriarcal e subordinada que se constituiu destruindo o trabalho autônomo e comunal presente nas atividades indígenas. E o substituiu pela escravização dos povos africanos que foram brutalmente transferidos de seu mundo para a nascente colônia.
Este livro reflete sobre a escravidão contemporânea. Os capítulos que o compõem mostram que as formas que ela assume na atualidade não são apenas resquícios da escravidão do passado, têm suas próprias especificidades e ganham espaço em um contexto global de trabalho cada vez mais precarizado. Mulheres escravizadas; tráfico de pessoas e exploração sexual; exploração de migrantes; trabalho forçado na marinha mercante, propostas de erradicação do trabalho escravo; mecanismos de responsabilização; controle das condições de trabalho por meio da "lista suja" e de selos sociais; mudanças na legislação e nas políticas públicas, seus avanços e retrocessos; decisões judiciais e dificuldades na obtenção de condenações; operações de resgate; educação para prevenção; exploração no trabalho bancário, uberização e novas tecnologias são alguns dos muitos temas abordados.
A obra reúne alguns estudos, distribuídos em dez capítulos, sobre saúde, ambiente e trabalho, numa perspectiva qualitativa, trazendo para o centro da investigação a análise de narrativas dos sujeitos implicados no processo de trabalho. Os capítulos articulam a práxis social com a lógica causal das ciências biológicas, humanizadas pelos sentidos dos sujeitos envolvidos, além do diálogo com a análise ergonômica do trabalho, que adquire destaque no processo de adoecimento.
Por que, no Brasil, os cidadãos desconfiam dos políticos e, ao mesmo tempo, estão prontos a seguir um líder carismático? Que tipo de cidadania existe no Brasil? Ou melhor, como neste país se construiu um conceito de cidadania e uma experiência de democracia?
Missão Previnir e Proteger: Condições de Vida, Trabalho e Saúde dos policíais Militares do Rio de Janeiro supre uma carência bibliográfica nos estudos de segurança pública, quase todos voltados para aspectos estratégicos ou técnicos da questão e, omitindo
Este livro expressa um momento da trajetória de um pensador e de seus colaboradores na inquietude da sua crítica à sociedade capitalista e também na busca incessante de experiências que apontem para a superação do capital. Henrique Tahan Novaes confronta, nessa obra, a Era da Barbárie e os embriões de trabalho emancipado que se projetam das lutas anticapitalistas, seja nas experiências de empresas recuperadas pelos trabalhadores, de trabalho associado, cooperativo e autogestionário, dos mutirões habitacionais, das lutas de outros movimentos sociais, como as lutas pela agroecologia etc. Talvez o eixo que perpassa os textos aqui reunidos seja a aposta na autogestão dos trabalhadores e na autonomia dos movimentos de luta anticapital como processos educativos de emancipação dos trabalhadores associados para a produção e reprodução dos meios de vida. Essa inquietação crítica que move o autor e seus colaboradores é, nos dias de hoje, imprescindível para fazer frente à barbárie que avança na atual crise estrutural do capital. - MAURÍCIO SARDÁ DE FARIA | UFRPE
Anarquismo e operariado no Brasil Quarta edição revista e ampliada de um livro fundamental para pesquisas na área de história do trabalho e no campo das culturas entre operários. O livro desenvolve uma discussão crítica das contradições e problemas da existência de uma política cultural anarquista no Brasil, e estuda a presença cultural do proletariado e das correntes libertárias no panorama literário pré-modernista da sociedade brasileira, mostrando os laços orgânicos entre a literatura social e o anarquismo.
Essa obra sobre o "curso da ação", apresenta uma teoria e uma metodologia da análise do trabalho e, potencialmente, de toda prática, isto é, de toda atividade à qual se pode atribuir uma significação individual e social.
Em O dia depois de amanhã, o jornalista Alexandre Teixeira conduz uma profunda reflexão sobre o presente do trabalho e as transformações aceleradas pela pandemia da Covid-19. Três anos depois da explosão da maior crise de saúde pública do século, o autor apresenta um panorama abrangente da disputa entre três correntes de pensamento. De um lado estão os defensores do trabalho remoto e sem fronteiras. Em outra ponta há o modelo "Híbrido 1.0", que propõe uma combinação padronizada entre dias de trabalho no escritório e em casa. Por fim, há a corrente que busca o retorno ao modelo totalmente presencial pré-pandemia. Conciliando síntese informativa e profundidade crítica, Alexandre Teixeira não se limita a documentar as mudanças desencadeadas pela pandemia no mundo do trabalho, mas também articula argumentos sólidos em favor da modernização das relações profissionais. O autor reitera que “não há nem haverá modelo de trabalho de tamanho único” e propõe o Design de Experiências de Trabalho para criar alternativas híbridas sob medida para cada time em cada organização, apostando na construção de futuros adaptados a necessidades individuais.
A nova edição de O privilégio da servidão, do sociólogo e professor Ricardo Antunes, apresenta um retrato detalhado e atualizado da classe trabalhadora hoje, com as principais tendências das novas relações trabalhistas, em que precarizações, terceirizações e desregulamentações tornaram-se parte da regra, e não da exceção. O estudo apresenta uma análise minuciosa das mudanças nas relações de trabalho durante a história recente do país, desde a redemocratização até os primeiros meses de Jair Bolsonaro no poder passando pelo impeachment de Dilma Rousseff e pelo governo de Michel Temer. O eixo central da obra busca compreender a explosão do novo proletariado de serviços, que se desenvolve com o trabalho digital, online e intermitente. A nova edição do livro conta com um tópico inédito, que procura indicar algumas causas e elaborar significados para a vitória da extrema direita nas eleições de outubro de 2018. Antunes mostra como esse episódio viria a revelar a nada esdrúxula combinação entre autocracia tutelada e neoliberalismo exacerbado do governo Bolsonaro: Trata-se da sujeição completa aos imperativos mais virulentos e destrutivos do capital e, por consequência, da devastação integral das forças sociais do trabalho.
Em O Gênero do Trabalho Operário Thaís Lapa retoma, de maneira criativa e sólida, o melhor da contribuição que os estudos feministas sobre o processo de trabalho plantaram no inicio dos anos 1980, com as análises de Elizabeth de Souza Lobo, construídas em intenso diálogo, entre outros, com os escritos de Danièle Kergoat e Helena Hirata. Em 1978, Kergoat apontara certeira que o lugar de classe estava longe de produzir comportamentos e atitudes unívocos. Beth Lobo, explorando essa avenida, mostrou à sociologia brasileira os caminhos alternativos ao discurso da homogeneização de classe: afirmou o valor da abordagem concreta das situações de trabalho, a importância de elucidar a dinâmica das relações sociais na produção, sempre guiada por um olhar que valorizava o elo (indissociável) entre trabalho produtivo e reprodutivo. Isso lhe permitiu vislumbrar, pelo ângulo da experiência subjetiva da dominação, as práticas e destinos de operárias e operários. Num momento em que as vicissitudes das crises e das experiências de desemprego duradouro e expulsão do mercado de trabalho tomaram de assalto nossas análises, Thaís Lapa atualiza, em O Gênero do Trabalho Operário, toda a virtualidade desse estilo de análise. Este livro nos capacita a pensar como as experiências e representações das trabalhadoras são um prisma fértil para se entender a natureza das relações de trabalho em segmentos que marcaram a dinâmica da sociedade brasileira. - Nadya Araujo Guimarães (USP) e Jacob Carlos Lima (UFSCAR).
Os temas do associativismo e do mutualismo – uma das manifestações associativas – têm ganhado crescente interesse nos últimos anos e já contam com uma produção, em forma de dissertações, teses, artigos e livros, relevante. Os seus nove capítulos reúnem contribuições de alguns dos pesquisadores dessas temáticas, que cobrem um período de mais de um século e abordam experiências associativas em diferentes partes do Brasil. Os textos dos capítulos foram previamente apresentados em versões preliminares em um seminário reunindo todos os autores, e com isso foram beneficiados pelas sugestões surgidas da discussão coletiva. Antes desta versão final, os textos passaram ainda pela revisão dos organizadores da coletânea, que lhes acrescentaram novas sugestões. As sucessivas de lapidações das diversas contribuições assegurou a qualidade do conjunto, e esta coletânea certamente trará um avanço importante aos estudos sobre o associativismo.
De Mariana a Brumadinho, os últimos anos foram marcados por “acidentes” ambientais promovidos pela mineradora Vale S.A. O solo movediço da globalização, do sociólogo Thiago Aguiar, é resultado de uma ampla pesquisa sociológica, econômica e etnográfica, conduzida em dois países com forte presença da gigante mineradora, Brasil e Canadá. O autor foi a campo e conversou com trabalhadores, dirigentes sindicais, gestores e ex-gestores da empresa para mostrar as mudanças nas relações de trabalho ao longo dos anos, a reestruturação das operações da Vale no Canadá, após a compra da Inco em 2006, que levou à maior greve no setor privado daquele país em trinta anos, além das recentes transformações na estrutura de propriedade e na “governança corporativa” da Vale. Com consequências devastadoras para trabalhadores, comunidades e meio ambiente, o caso da Vale S.A. é um exemplo da desastrosa integração da economia brasileira ao capitalismo global nas primeiras décadas do século XXI. No livro, o autor narra em detalhes a complexa transformação da Vale, uma tradicional empresa estatal umbilicalmente associada ao ciclo industrializante do país, em uma grande corporação mundial na liderança da produção de minério de ferro e de níquel. “Neste livro, Thiago Aguiar nos oferece uma oportunidade ímpar para compreendermos catástrofes como as de Mariana e Brumadinho, e agirmos a fim de evitar que elas se repitam no futuro. De fato, o lado sombrio da globalização capitalista foi iluminado por esta obra politicamente radical e sociologicamente instigante. A urgente resposta da sociedade às ameaças trazidas para nossa existência pela financeirização capitalista se fortalece com livros como este. Lê-lo e debatê-lo são tarefas estratégicas para todos os que lutam por uma sociedade justa e ambientalmente sustentável”, escreve o professor Ruy Braga no prefácio da obra.
O livro aborda a problemática que envolve a compreensão das representações sociais do cotidiano e do trabalho de mulheres brasileiras que residem na Holanda. Dezenove mulheres foram entrevistadas para a composição de seus relatos. Os resultados revelam que a globalização favorece a entrada no país de imigrantes provindos do mundo todo, inclusive do Brasil. Além disso, o sistema capitalista utiliza essa demanda de emprego para explorar a mão-de-obra barata e sem acesso a direitos sociais. Com relação às representações sociais, as mulheres brasileiras que residem na Holanda se organizam baseadas em um sistema de interpretação complexo, que envolve contextos macro e micro, fundamentadas em concepções culturais e transacionais, nas quais o papel das redes sociais são importantes. Pode-se constatar que a imigração de mulheres brasileiras é uma realidade que deve ser enfrentada pelas autoridades brasileiras, como também no âmbito do Serviço Social.
Aprofundar a discussão sobre os fundamentos do trabalho no Brasil contemporâneo, relacionando-a ao trabalho e à educação dos trabalhadores na área da saúde: esta é proposta do presente livro, que completa uma trilogia sobre trabalho, educação e saúde, junto com os títulos Fundamentos da Educação Escolar no Brasil Contemporâneo (2006) e Estado, Sociedade e Formação Profissional em Saúde (2008). Os três volumes têm como objetivo “elucidar o processo histórico que vem conformando o campo do trabalho, da educação e da saúde no Brasil segundo a perspectiva da luta de classes contemporânea, constituindo materiais que podem contribuir para a organização e o acúmulo de forças da classe trabalhadora”. A nova coletânea está organizada em cinco eixos temáticos: o trabalho no mundo contemporâneo, as mudanças no mundo do trabalho e seus impactos na área da saúde; os trabalhadores da saúde e seus desafios e lutas; o trabalho e a educação profissional em saúde; e a saúde do trabalhador e a saúde do trabalhador da saúde. Ao longo dos capítulos, apresenta-se o trabalho no mundo contemporâneo nos seus aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais, com aportes de conhecimentos da sociologia do trabalho, da história social, do serviço social, da saúde coletiva, da ergonomia e do trabalho e da educação em saúde. Destaca-se como “preocupação central a reflexão sobre o trabalho e a educação profissional em saúde no campo de lutas pela emancipação das formas e relações de exploração e dominação vigentes”.
Antes de ser o que é hoje, a NR-7 tratava dos "Exames Médicos", reduzindo o papel dos médicos do trabalho ao de meros examinadores ou, ainda pior, ao de "selecionadores" de trabalhadores saudáveis que pudessem "garantir" a produção. Certamente um papel muito pequeno para um assunto de tanta relevância social, como o trabalho e a saúde.
Quais são os desafios no âmbito da Qualidade de Vida, Saúde e Segurança no Trabalho em Rio das Ostras e Macaé? O que tem sido pesquisado pelos professores e pesquisadores? Qual o olhar dos profissionais que atuam nesta região? Este livro tem como objetivo apresentar pesquisas e entrevistas atuais sobre esta temática nesta região. Esta obra faz parte coletânea de livros do projeto de extensão “Café com RH: promovendo ações em prol da melhoria da Qualidade de Vida no Trabalho em Macaé” do departamento de Administração e Ciências Contábeis do Instituto de Ciências da Sociedade da UFF em Macaé. Projeto multidisciplinar financiado pelo MEC (Edital Proext 2014). Tem como foco apresentar uma pequena parte das produções acadêmicas no âmbito da Qualidade de Vida, Saúde e Segurança no Trabalho em Rio das Ostras/RJ e Macaé/RJ. Também apresenta entrevistas que expressam o olhar de alguns profissionais sobre a prática cotidiana no contexto da região. O grupo de autores é formado por professores, estudantes e profissionais que possuem diferentes formações e que atuam em diversas empresas e instituições universitárias de Macaé e Rio das Ostras Através deste livro, profissionais e acadêmicos poderão conhecer um pouco mais dos desafios presentes para poderem refletir e intervir criticamente sobre esta localidade.
O valor da informação é um estudo inédito e provocador que examina três grandes processos em curso na sociedade capitalista contemporânea: a apropriação do conhecimento pelos direitos de propriedade intelectual, a geração de valor por trabalho não pago dos usuários nas plataformas e redes sociais da internet e a produção e apropriação de rendas informacionais por meio do espetáculo audiovisual, com foco nos grandes campeonatos de futebol. Com a ótica da teoria marxiana do valor-trabalho aplicada à teoria da informação, os autores apresentam temas extremamente atuais e com o mérito de unir uma teoria tradicional e consagrada a práticas absolutamente modernas – um tema já tratado de forma esparsa por outros autores, mas pela primeira vez reunido de forma consistente e aprofundada numa única publicação. Entre outras considerações, é colocada uma questão central para reflexão: a informação é uma mercadoria? Nos três eixos da obra, são expostos os grandes conglomerados empresariais, suportados pelo capital financeiro, que comandam o trabalho de artistas, cientistas e mesmo da sociedade em geral, por meio da apropriação do mais-valor que geram graças à constante troca de informações. “Hoje em dia, não há como negar que a informação foi reduzida a mercadoria e, assim, entendida acriticamente pelo senso comum. Também avançou, nos últimos trinta ou quarenta anos, no conjunto do mundo capitalista, um amplo processo de privatização dos serviços públicos. Nas últimas quatro ou cinco décadas, o capital veio fazendo da informação o alfa e o ômega de suas relações de produção e consumo”, comentam os autores na introdução da obra.
Esta obra tem como fio condutor as experiências e os saberes conjugados entre trabalhadores e pesquisadores, na investigação de problemas de saúde relacionados ao trabalho. O compartilhamento de saberes esteve presente em todo o processo de sua feitura. A procura de uma multivocalidade dialógica buscou romper com as hierarquias tradicionais de pesquisa e autoria, sob predomínio do saber científico oficial.
Partindo do pressuposto teórico de que a relação dialética entre os três elementos que, segundo Henri Lefebvre, compõem a vida cotidiana - trabalho, família e lazer - é uma relação que se manifesta em sua negatividade, no universo dos excluídos sociais, e, portanto, só existe através das representações por eles construídas, o presente estudo tem como objetivo analisar essas representações pela mediação da categoria trabalho, no sentido de compreender sua dupla determinação, tanto no processo do ruptura do cotidiano, quanto na possibilidade de restabelecimento do mesmo, para um grupo de albergados da Cidade de São Paulo.
Este estudo tem como perspectiva compreender as transformações no mundo do trabalho e a sua relação com o processo saúde-doença, pois, o trabalho é como a vida: está sempre se modificando e sua relação com o corpo dos que trabalham também se modifica.
O livro, Saúde: A Cartografia do Trabalho Vivo, trata do agir no âmbito das organizações de saúde, particularmente nos processos produtivos dos atos de saúde, como lugar de uma transição tecnológica para um novo patamar produtivo.
As sociedades democráticas que têm a busca pela igualdade e justiça como princípio necessitam de mecanismos capazes de promover e garantir os direitos de cidadania da população. A Constituição de 1988 foi um marco quanto aos fundamentos das ações públicas para alcançar esse objetivo. O desenho da seguridade social brasileira a partir de então passou a expressar a responsabilidade do Estado democrático frente às demandas sociais e a garantir a proteção social aos sujeitos de direito. Um dos debates mais intensos nas Ciências Econômicas e Sociais é sobre quais fundamentos políticos e teóricos o Estado deve dispor para regulamentar as atividades econômicas a fim de garantir justiça, igualdade e liberdade nas sociedades verdadeiramente democráticas. De um lado, há aqueles que acreditam que os processos produtivos por meio do crescimento econômico, de investimentos produtivos e políticas de pleno emprego, são, por si só, capazes de constituir um ambiente onde os direitos de cidadania sejam garantidos. De outro, há aqueles que defendem o contrário, situando o Estado como um agente necessário para promover a eqüidade por meio da garantia dos direitos sociais – implementados pelos equipamentos da seguridade social –, já que somente os processos econômicos não conseguem assegurá-los.
E, neste novo contexto, o Brasil, por suas potencialidades naturais, pode assumir uma posição de enorme destaque. É esta a oportunidade histórica que não podemos perder.
Vários dos achados nesse livro comprovam que o trabalho no setor da saúde vem sendo caracterizado por situações de muitas tensão, provocando frequantes repercussões psicossociais sobre os trabalhadores do setor. Nota-se, ..., que os trabalhadores do SUS municipal vêm padecendo de sofrimento físico-mental diante das condições de precarização e intensidade do trabalho. O mais importante de tudo isso é que os autores não deixam, em nenhum momento, de articular muito bem essa degradante situação do trabalho em saúde com as transformações contemporâneas do modo de produção capitalista e de suas relações com a forma Estado no nosso país. Sem dúvida, trata-se de obra essencial para ampliar o horizonte daqueles ... preocupados com o campo do trabalho em saúde e não ficarem restritos a uma análise dissociada do perverso movimento totalizante do capital.
O livro traz uma coletânea de textos que abordam questões acerca dos direitos, da ética, do trabalho e das políticas públicas que vêm sendo estudadas e debatidas no campo do Serviço Social.
O livro traz ao leitor uma análise do significado da categoria trabalho em Marx e de sua relação com a emancipação humana. Resultado de estudo minucioso sobre os Grundrisse – manuscritos que precedem à redação de O Capital –, o livro expõe inicialmente a amplitude do conceito de trabalho aí encontrado bem como os traços que distinguem esta atividade no mundo moderno, marcado tanto pela alienação dos indivíduos, quanto pela universalização de suas determinações.
O livro se propõe a abordar questões que povoam o universo do trabalho e das formas de sua gestão. O trabalho é analisado em seus aspectos práticos e objetivos, em suas representações, seus saberes e como estruturador do funcionamento psicológico dos indi
O livro oferece uma série de propostas e abordagens para profissionais do SUS, além de estudantes e pesquisadores. São contribuições sobre aspectos sócio-históricos, teórico-conceituais, jurídicos e práticos que possam ampliar os debates acerca do trabalho infantil. De forma ampliada, a obra busca contribuir para uma visão em que a atenção integral à saúde seja efetivamente reconhecida como um direito universal.
Consagrado autor de Mauá e História da Riqueza no Brasil, Jorge Caldeira se uniu a Julia Sekula e Luana Schabib para apresentar análises econômicas amparadas em gráficos, infográficos e mapas até então pouco conhecidos, revelando o que o mundo já fez, tem feito e está projetando para este novo futuro.