Relatório Dawson, Reino Unido, 1920. É lançada a divisão dos sistemas de saúde: atenção primária, secundária e terciária. Durante a primeira metade do século XX, essa doutrina vai se fortalecendo, e o que chama atenção nos melhores modelos de saúde é o fortalecimento da atenção primária. Conferência Mundial de Saúde, Alma-Ata, Cazaquistão, 1978. Estabelece-se a atenção primária como núcleo e principio central de todos os sistemas de saúde. A atenção primária é, na realidade, a verdadeira porta de entrada para qualquer serviço de saúde. Alinhada a esse princípio, criou-se uma nova especialidade médica, a Medicina de Família, ou seja, o médico de Família, que atende o indivíduo e sua Família, independentemente de idade, sexo ou tipo de alteração de saúde. À luz desses fatos, lança-se este livro, Medicina de Família e Comunidade - Fundamentos e Prática. Seu objetivo é transmitir conhecimentos especializados, inseridos nessa nova especialidade de Medicina. O livro tem sua equipe autoral formada por grupo de conceituados especialistas, apresenta 3 Editores, 99 Colaboradores, 9 Seções, 50 Capítulos, num total de 664 Páginas. Seu público-leitor é formado por Médicos de Família, e todos os que pelo tema se interessam: Clínicos, Residentes, Internos
Este livro tem por objetivo abordar a adolescência na sua integralidade buscando uma prática baseada em evidências, desmitificando a atuação com este ciclo de vida, nos seus diversos aspectos, quer sejam de saúde física e/ou emocional, questões legais ou sociais.
Nos últimos 30 anos, a história da medicina e da saúde na América Latina e no Caribe tornou-se um importante campo de pesquisa, parte de um grande florescimento mundial da história social e cultural da medicina e dos estudos nas áreas de ciência e tecnologia. Com tantos novos trabalhos históricos, há uma necessidade cada vez maior de se fazer um balanço e promover um diálogo nesse campo. Este livro, então, propõe uma abordagem histórica sobre a saúde pública, entrelaçada com a medicina, com a pesquisa médica e com temas sociomédicos, concentrando-se nas práticas de saúde inovadoras que têm sido realizadas, com tanta frequência, na América Latina.
Apresenta as principais causas da mortalidade feminina no Brasil nos últimos anos. Um CD-ROM com gráficos estatísticos acompanha o livro.
Humanização do parto e do nascimento: questões raciais, cor e de gênero
Compreender o processo de emergência das medicinas tradicionais indígenas no campo das políticas públicas de saúde indígena é o objetivo deste livro, que analisa os discursos proferidos por uma diversidade de atores – indígenas e não indígenas, governamentais e não governamentais, nacionais e internacionais. Dessa forma, a obra revela uma dinâmica que vai do global e ao local, e transforma os contextos envolvidos, originando novas formações culturais.
Escrita pela historiadora Tamara Rangel Vieira, a obra é fruto da tese de doutorado defendida pela autora, em 2012, no Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz. O título evidencia como um conjunto de jovens médicos construiu em Goiás - estado então distante dos mais conceituados centros médicos e científicos do Brasil do século XX - uma comunidade médica de pesquisa e ensino capaz de dialogar com seus pares. O resultado disso foi, como mostra a autora, a fundação da Associação Médica de Goiás (AMG), a criação da Revista Goiana de Medicina e a inauguração da Faculdade de Medicina de Goiás, entre outros exemplos. Ao mesmo tempo, Tamara Vieira usa como analogia o clássico Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, para evidenciar a imagem pejorativa de sertão que foi atrelada ao estado de Goiás e discutir sobre a questão das desigualdades regionais.
Este trabalho ilustra plenamente os objetivos da Coleção Pensamento Político-Social mostrando que as relações, as instituições e os processos político-sociais não estão descolados das interpretações que recebem. Uma das originalidades deste livro reside na seleção desses intérpretes: são todos médicos localizados desde o século XIX até o XXI, presentes em vários lugares da sociedade brasileira. Temos, entre os autores analisados, um presidente da República, vários ministros de Estado, deputados estaduais e federais, diplomatas, fundadores e diretores de centros de estudo e pesquisa, reitores e professores universitários. Ainda, membros da Academia Brasileira de Letras, Academia de Ciências, Academia Nacional de Medicina, Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, Sociedade de Geografia, Associação Brasileira de Antropologia. As abordagens nos diferentes capítulos ressaltam ora o texto, ora o contexto dessas produções, mostrando como a discussão dos temas e dilemas opera na direção da construção do social. Como se pode ver são muitas as questões abordadas pelos médicos-intérpretes.
Para o filósofo e pensador político afro-judeu Lewis R. Gordon, a consciência negra, com inicial minúscula, distingue-se da consciência Negra, com maiúscula. A primeira se limita à percepção, por parte de pessoas negras, de que são discriminadas e oprimidas, e é basicamente passiva. Já a consciência Negra é ativa: apela para uma ação que combata e supere os fundamentos do racismo estrutural. Neste livro, a partir do estudo do surgimento da noção eurocêntrica e colonialista de "raça", Gordon percorre as inúmeras formas de emergência da consciência Negra nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, bem como as reações a ela, muitas vezes insidiosas e pouco perceptíveis. O quadro traçado aqui é complexo e surpreendente, revelando as fissuras e divergências no próprio seio das comunidades afrodescendentes. Com o olhar atento para movimentos contemporâneos, como o Black Lives Matter, e para as produções recentes da indústria cultural, Gordon debate e atualiza ideias de pioneiros como W. E. B. Du Bois e Frantz Fanon para abordar o antirracismo em suas articulações com outras questões de identidade e pertencimento: de gênero, classe social, ideologia política, religião etc. Os temas da discriminação e opressão racial encontram aqui aquela que talvez seja sua abordagem mais abrangente, radical e original, exposta numa linguagem clara e envolvente. Um livro que já surge como um clássico.
Neste livro, a convergência de duas importantes áreas do conhecimento propicia uma interação de fundamental interesse para os leitores. Meio ambiente & geologia, de Omar Yasbek Bitar, trata do importante papel da geologia na questão ambiental.
Este livro apresenta os resultados de pesquisa conduzida pelo Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI) que investigou as Tensões estruturais entre meio ambiente e crescimento econômico. Congregando especialistas de vários setores (economia, sociologia, filosofia, antropologia, física e ciência ambiental) e diferentes países, ela desenvolveu-se entre 2007 e 2008 e procurou aprofundar uma visão anti-hegemônica da natureza sistêmica de um dos maiores impasses civilizacionais deste século: a espécie humana corre um sério risco de desestabilização porque sua saúde e suas atividades dependem do bom funcionamento dos ecossistemas – que estão colapsando – e de recursos naturais abundantes, que passam a escassear devido aos nossos modos de produção e consumo.
Bem mais que um relato sobre ultrassonografia fetal em mulheres de camadas médias do Rio de Janeiro, a obra propõe uma reflexão refinada sobre o papel da tecnologia médica na (re)definição do corpo e da própria realidade em que vivemos. Os resultados, apresentados, contribuem para o debate sobre a construção do feto como pessoa mediada pela tecnologia de imagem.
Em meio à guerra fratricida que dividiu a Nigéria com a malograda tentativa de fundação do estado independente de Biafra, um grupo de pessoas busca provar a si mesmas e ao mundo que é capaz não só de sobreviver, mas também de resguardar seus sonhos e sua integridade moral. Garoto de aldeia, Ugwu procura se ajustar a uma realidade em rápida transformação. Olanna é uma moça da alta sociedade que se torna professora universitária e vive com Odenigbo, que abraça a causa revolucionária. Jornalista com ambição de se tornar escritor, Richard se apaixona pela irmã de Olanna, Kainene, figura esquiva, que reage com pragmatismo ao desmoronamento da nação. Baseado em fatos reais transcorridos na década de 1960, este romance da premiada escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie vai além do mero relato, transformando- se em um grandioso painel sobre indivíduos vivendo em tempos de exceção, um livro que a crítica internacional aproxima de V. S. Naipaul, Chinua Achebe e Nadine Gordimer.
Fruto dos primeiros anos de trabalho cooperativo no âmbito da Rede Ibero-americana de Pesquisa em Ambiente e Sociedade, este livro aborda o tema das mudanças ambientais e climáticas em áreas protegidas e vulneráveis a partir de um amplo grupo de pesquisadores de diferentes países. Lançado por ocasião do cinquentenário da Unicamp, as contribuições aqui trazidas buscam refletir sobre questões-chave da vida contemporânea: por que, afinal, continuamos atrelados a um modelo de desenvolvimento baseado na emissão de carbono se já há evidência suficiente de que isso contribui para ameaçar os sistemas sociais e ecológicos? Por que, diante de tais evidências, as políticas públicas de enfrentamento do problema não surtem o efeito esperado nos diferentes países?
ANAHP - Associação Nacional de Hospitais Privados - criou um grupo de Gestão de Pessoas com o intuito de tratar de temas cujo foco é o impacto da Gestão de Pessoas nos resultados das instituições hospitalares. O livro "Melhores Práticas em Gestão de Pessoas - Experiências dos Hospitais ANAHP" contou com a contribuição de vários gestores dos hospitais associados, que se dedicaram com afinco a escrever as experiências vivenciadas em suas organizações e não mediram esforços para compartilhar seus conhecimentos.
Mais de trinta anos após a publicação das Memórias (1979), de Gregório Bezerra, o lendário ícone da resistência à ditadura militar é homenageado com o lançamento de sua autobiografia pela Boitempo Editorial, acrescida de fotografias e textos inéditos, e em um único volume. O livro conta com a contribuição decisiva de Jurandir Bezerra, filho de Gregório, que conservou a memória de seu pai; da historiadora Anita Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, que assina a apresentação da nova edição; de Ferreira Gullar na quarta capa; e de Roberto Arrais no texto de orelha. Há também a inclusão de depoimentos de Oscar Niemeyer, Ziraldo, da advogada Mércia Albuquerque e do governador de Pernambuco (e neto de Miguel Arraes) Eduardo Campos, entre muitos outros.Em Memórias, o líder comunista repassa sua impressionante trajetória de vida e resgata um período rico da história política brasileira. O depoimento abrange o período entre seu nascimento (1900) até a libertação da prisão em troca do embaixador americano sequestrado, em 1969, e termina com sua chegada à União Soviética, onde permaneceria até a Anistia, em 1979. No exílio começou a escrever sua autobiografia.
Memórias da Plantação é uma compilação de episódios cotidianos de racismo, escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Das políticas de espaço e exclusão às políticas do corpo e do cabelo, passando pelos insultos raciais, Grada Kilomba desmonta, de modo incisivo, a normalidade do racismo, expondo a violência e o trauma de se ser colocada/o como Outra/o. Publicado originalmente em inglês, em 2008, Memórias da Plantação tornou-se uma importante contribuição para o discurso acadêmico internacional. Obra interdisciplinar, que combina teoria pós-colonial, estudos da branquitude, psicanálise, estudos de gênero, feminismo negro e narrativa poética, esta é uma reflexão essencial e inovadora para as práticas descoloniais.
"Memórias Do Cuidar" é a história de um centro de formação profissional que completa setenta anos: o curso de Enfermagem da atual Universidade Federal de São Paulo, criado em 1939. Desde a fundação do curso, valoriza-se a formação com ênfase no "cuidar" como objetivo precípuo das(os) enfermeiras(os).
“Mentes, corpos e comportamentos” reúne recentes investigações produzidas no campo historiográfico sobre os saberes psi, destacando as diferentes propostas teórico metodológicas, bem como a diversidade de fontes documentais, recortes temáticos, temporais e regionais presentes nos estudos dedicados a perscrutar as vozes e os silenciamentos que pulsam na história da psiquiatria e da saúde mental brasileira. Dividido em três partes, os textos que compõem o livro revelam a diversidade de perspectivas e interpretações históricas sobre seus singulares objetos de estudo. No entanto, em seu conjunto, tais trabalhos evidenciam uma característica comum: todos e cada um deles lançam luz sobre os indivíduos que foram objeto de teorias e intervenções diversas dos saberes psi no Brasil entre os séculos XIX e XX e buscam dar voz às suas contingências e formas de existir e resistir.
A partir do estudo do sistema internacional contemporâneo, este livro mergulha na constituição histórica e na atuação dos atores políticos brasileiros no Mercosul. Inclui ainda um capítulo sobre os grupos de interesses no contencioso Brasil-Argentina do açúcar.
Analisar a identidade do mestrado profissional, especialmente no campo da saúde pública: este foi o desafio assumido pelos autores. Um desafio porque, segundo os pesquisadores, a identidade desses cursos ainda carece de precisão e, consequentemente, de legitimidade. A formação no mestrado profissional tem um compromisso com a experiência proveniente do mundo do trabalho. É necessária uma estrutura curricular diferenciada, que articule o ensino à aplicação profissional. Na prática, porém, essa integração e a inovação ainda encontram uma série de obstáculos.
Consagrado por sua abrangência e solidez, Metodologia Científica para a Área de Saúde chega à sua terceira edição amplamente revisado e expandido com conteúdos novos e material atualizado, sendo literatura indispensável para estudantes e pesquisadores da área de saúde, bem como para médicos e formuladores de políticas que têm a responsabilidade de julgar a consistência de uma pesquisa, a fim de aplicar os resultados.Mantendo o objetivo de apresentar tópicos de metodologia científica quantitativa aplicada aos estudos de saúde, com o propósito de compartilhar e disseminar conhecimentos dessa área, esta terceira edição inclui novas pesquisas em seres humanos e referências atualizadas às normas e leis brasileiras, o que facilita ao leitor a apreensão dos conhecimentos disponíveis atualmente sobre a matéria.Organizado, didaticamente, em nove capítulos, além de Referências Bibliográficas e três Apêndices, seu conteúdo traz menções e citações das regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) sobre o assunto, além de mencionar as disposições da FDA) dos Estados Unidos. Entre suas principais características, destacam-se os diagramas que complementam a exposição dos diferentes tipos de estudos clínicos, as discussões críticas sobre as vantagens e desvantagens dos diferentes métodos utilizados na pesquisa científica e a farta exemplificação, sempre fundamentada em artigos científicos publicados em revistas especializadas, nacionais e internacionais.?
A proposta desta obra associa a metodologia científica de documentação e a apresentação de experimentos científicos, sem banalizar conteúdos ou desqualificar os indicadores formais que nos protegem do empirismo puro. É um livro que facilita aos seus leitores uma linha de pensamento e conduta para a utilização da metodologia qualitativa, com segurança e assertividade, na construção de seus trabalhos científicos.
Esta coletanea organiza um conjunto de textos basicos e fundamentais para todos aqueles que discutem e refletem sobre a questao de metodo e pesquisa na area de ciências humanas. Trata-se de uma selecao de textos de autores classicos, como Weber, Marx e Durkheim, e de autores nacionais, tais como, Florestan Fernandes, Sergio Buarque de Holanda, Marilena Chaui, Jose Guilherme Cantor Magnani e Eclea Bosi, que contribuem com dois textos especialmente importantes para os estudos na area de lazer. São fontes cristalinas, cuja fluência constantemente nos convida, estimula e, além disso, encoraja a também participar deste renovar-se em movimento.
Métodos de Pesquisa em Comunicação mergulha no cotidiano da pesquisa explorando desde questões metodológicas básicas como a criação de um Projeto de Pesquisa ou técnicas para conseguir dados, até aspectos práticos da vida acadêmica como planejar uma apresentação em um evento, se preparar para uma banca de defesa ou publicar seu trabalho. Em uma linguagem leve e dinâmica, com vários exemplos práticos, o livro mostra como transformar perguntas em resultados.
No processo em curso de reestruturação econômica e política do capitalismo em nível mundial, o debate sobre a questão metropolitana tem se mostrado fundamental à compreensão das implicações profundas entre a modernização seletiva, orientada para a recomposição da taxa de lucro do capital, e o desmonte de direitos sociais.
Publicado originalmente em 1999 em forma de poema rimado e ilustrado, esta delicada obra chega ao país pelo selo Boitatá, apresentando às meninas brasileiras diferentes penteados e cortes de cabelo de forma positiva, alegre e elogiosa. Um livro para ser lido em voz alta, indicado para crianças a partir de três anos de idade – e também mães, irmãs, tias e avós – se orgulharem de quem são e de seu cabelo "macio como algodão” e "gostoso de brincar". Hoje em dia, é sabido que incontáveis mulheres, incluindo meninas muito novas, sofrem tentando se encaixar em padrões inalcançáveis de beleza, de problemas que podem incluir desde questões de insegurança e baixa autoestima até distúrbios mais sérios, como anorexia, depressão e mesmo tentativas de mutilação ou suicídio. Para as garotas negras, o peso pode ser ainda maior pela falta de representatividade na mídia e na cultura popular e pelo excesso de referências eurocêntricas, de pele clara e cabelos lisos. Nesse sentido, Meu crespo é de rainha é um livro que enaltece a beleza dos fenótipos negros, exaltando penteados e texturas afro, serve de referência à garota que se vê ali representada e admirada
A sexualidade como função fisiológica e o desejo sexual como necessidade orgânica primária. A educação sexual – para homens e mulheres – como estratégia para solucionar não só o problema das doenças venéreas, mas outros como a desarmonia conjugal e as perversões sexuais. A legitimação e institucionalização da andrologia, a ciência do homem. A crítica à abstinência sexual socialmente imposta às mulheres solteiras e viúvas. Essas eram algumas das ideias defendidas pelo autoproclamado sexólogo e andrologista brasileiro José de Albuquerque, médico que, embora tenha enfrentado tabus, levantado polêmicas e causado rebuliço na elite carioca nos anos 1930, ficou esquecido ao longo das décadas seguintes. Mas agora esse importante personagem da história da sexualidade no Brasil volta à cena com a publicação de sua autobiografia até então inédita.
Ibrahima Balde é ainda menino quando seu pai subitamente morre. Como filho mais velho, ele é obrigado a deixar sua aldeia no interior da Guiné para encontrar trabalho e sustentar a família. Longe de casa, e sempre sozinho, Ibrahima passa a exercer diversos ofícios. Quando enfim consegue um emprego como aprendiz de caminhoneiro, ele descobre que Alhassane, seu irmão mais novo, abandonou a escola e fugiu para a Líbia, perseguindo o sonho de ganhar dinheiro na Europa e ajudar a família. Deixando tudo para trás, Ibrahima segue os passos de Alhassane com o objetivo de convencê-lo a voltar para casa e concluir os estudos. A longa viagem, cheia de dificuldades, e por vezes realizada a pé, leva-o a Mali, Argélia, Líbia, Marrocos, passando pelo deserto do Saara e pelos campos de refugiados do Norte da África. No deserto, ele é mantido em uma prisão que funciona como mercado de escravizados. Na Líbia, novamente preso, é vendido a um criador de galinhas, mas foge pela segunda vez. Só então, ao chegar a um acampamento na Argélia, descobre que seu irmão pode ter desaparecido ao tentar atravessar o Mediterrâneo. Angustiado, oprimido pela culpa e incapaz de voltar para casa, Ibrahima decide embarcar em um bote inflável em direção à Europa. O autor deste livro, Ibrahima Balde, foi realmente resgatado no mar e encontrou abrigo provisório no País Basco, na Espanha. Com base em sua história de vida, contada ao bardo Amets Arzallus Antia, Meu irmãozinho é uma obra arrebatadora.
Um nome às vezes é apenas um nome e nada mais, noutras pode tornar-se muito mais do que um simples nome. Ele era um menino com alma de menina, logo não queria ser chamado com nome de menino, porque corpo não quer dizer nada, mas o que tem dentro da gente quer dizer muita coisa.
Ao contrário dos críticos de Foucault, os colaboradores deste volume veem a abordagem filosófica não convencional de Foucault como uma força. ELes rejeitam a perspectiva segundo a qual o aspecto crítico da sua filosofia eclipsa o seu potencial positivo e emancipatório. CAda uma das três partes do livro ilustra como Foucault reconceitualiza um conceito filosófico-chave – poder, liberdade e subjetividade – e fornece exemplos de como essa reconceitualização facilita novas maneiras de pensar e agir que sejam capazes de se contrapor à opressão e à dominação.
O corpo é um fio condutor que perpassa praticamente de ponta a ponta a obra de Michel Foucault. Neste livro, Arianna Sforzini busca analisar a relação entre a filosofia do seminal autor francês e a ideia de corpo, concentrando-se na evolução do pensamento foucaultiano em relação ao corpo ao longo de toda a sua trajetória, desde seus primeiros trabalhos até as obras finais, com destaque para "História da loucura", "Vigiar e punir" e "As palavras e as coisas".
Neste livro, Noam Chomsky fala sobre o poder de manipulação que a mídia exerce nos Estados democráticos modernos, os quais procuram fazer que o povo seja impedido de conduzir seus assuntos pessoais e que os canais de informação sejam estreita e rigidamente controlados. Ele diz como essa noção de Estado democrático se desenvolve e por que e como o problema da mídia e da desinformação se insere nesse contexto.
Migrantes, refugiados, deslocados, bombardeios, violência, guerra, fome, medo, êxodo, campos, meninos, meninas, órfãos, barcos, resgates, afogados, fronteiras, apátridas, ilegais, desaparecidas, crise humanitária, pacto mundial sobre migração, direitos humanos... Silêncio.
A obra narra a trajetória de Milton Santos, reconhecido internacionalmente como um dos maiores geógrafos brasileiros. Milton dedicou a sua vida a ser um crítico feroz do modo como as relações se estabeleciam. O geógrafo não só analisou a globalização, mas também a dinâmica das relações étnico-raciais no Brasil.
Esta obra não é um livro de história. É um ensaio histórico-sociológico que pretende colocar na mesa dos debates uma tese sobre o lugar e o papel da mineração moderno-colonial na posterior configuração do projeto civilizatório hegemônico, que dá forma à vida social contemporânea. Nossa tese afirma, de maneira simples, que a mineração moderno-colonial foi o detonante fundamental do Capitaloceno. Aqui se procura demonstrar como esse tipo histórico de exploração das "riquezas" minerais da Terra, nascido do empreendimento da invasão e da conquista colonial do "Novo Mundo", desencadeou e motorizou toda uma série de grandes deslocamentos geológicos e antropológicos que desembocaram na grande crise ecológico-civilizatória que hoje paira sobre nossa Mãe Terra e, especificamente, sobre nossa comunidade biológica, os humanos.
Meninos gostam de dançar, de correr e de pular, isso todo mundo já sabe. Mas, eles podem também gostar de abraços, de rimar ou até de ficarem quietinhos? Conheça a história do Bibói, um garotinho que arrasa nas batalhas e nas rimas e, está descobrindo quem ele é. Na batida do break, a renomada educadora e ativista bell hooks traz uma história vibrante que capta a energia do que é ser um menino dentro da cultura do hip-hop. Mostrando de forma sensível todas as contradições que permeiam a vida dos pequenos em busca da própria masculinidade, a autora amplia o leque de possibilidades para o que significa ser um menino. Da mesma autora de Meu crespo é de rainha, este vibrante poema visual, com ilustrações de Chris Raschka, é a segunda obra infantil da dupla publicada pelo Boitatá.
Com uma vida repleta de realizações significativas, Michelle Obama se consolidou como uma das mulheres mais icônicas e cativantes de nosso tempo. Como primeira-dama dos Estados Unidos — a primeira afro-americana a ocupar essa posição —, ela ajudou a criar a mais acolhedora e inclusiva Casa Branca da história. Ao mesmo tempo, se posicionou como uma poderosa porta-voz das mulheres e meninas nos Estados Unidos e ao redor do mundo, mudando drasticamente a forma como as famílias levam suas vidas em busca de um modelo mais saudável e ativo, e se posicionando ao lado de seu marido durante os anos em que Obama presidiu os Estados Unidos em alguns dos momentos mais angustiantes da história do país. Ao longo do caminho, ela nos ensinou alguns passos de dança, arrasou no Carpool Karaoke e criou duas filhas responsáveis e centradas, apesar do impiedoso olhar da mídia.
Minha história das mulheres é a obra mais acessível e instigante da historiadora Michelle Perrot. Nasceu de um programa de rádio francês que fez enorme sucesso ao divulgar com clareza e entusiasmo, para um público de não especialistas, o conteúdo de mais de 30 anos de pesquisas e reflexões acadêmicas. Transformado em livro, depois traduzido e publicado no Brasil pela Editora Contexto, narra em cinco capítulos o processo da crescente visibilidade das mulheres em seus combates e suas conquistas nos espaços público e privado. Mães e feiticeiras, trabalhadoras e artistas, prostitutas e professoras, feministas e donas-de-casa e muitas outras personagens femininas fazem parte desse relato sensível e atual de uma das pesquisadoras mais conceituadas da história das mulheres.
Anielle Franco revela um diário que ela começou a escrever desde o dia em que sua irmã, a vereadora Marielle Franco, foi assassinada, em 2018. Neste livro, a a educadora Anielle Franco escreve sobre a saudade e as lembranças que tem de sua irmã, a vereadora Marielle Franco, que foi assassinada em 2018. A obra traz um relato sobre a falta que a irmã faz a ela e detalha a relação das duas na infância e na adolescência. A publicação reune fotografias de família e ilustrações. A quarta capa do livro é assinada pela atriz Taís Araújo, e o prefácio, pela jornalista Maju Coutinho. Anielle também é diretora do Instituto Marielle Franco, criado pela família da vereadora.
Em Minha Querida Sputnik , Haruki Murakami nos apresenta um Japão de restaurantes sofisticados e cores vibrantes, e nos leva ao centro de um triângulo amoroso arrebatador e, ao mesmo tempo, incomum. K. é um jovem professor que vive em Tóquio e é apaixonado por Sumire, sua melhor amiga, uma garota que largou os estudos para se tornar escritora. A vida dela se resume aos livros: eles não só definem o seu dia-a-dia de leitora voraz como também o modo de se vestir.
Miséria da filosofia é, no conjunto da obra de Marx, uma etapa de grande importância. É uma obra ao mesmo tempo de transição e de maturidade. Ela constitui, para ele, a primeira síntese entre uma filosofia metódica e uma economia política, ao mesmo tempo objetiva e concreta. Até então, Marx entendia essas duas disciplinas de forma separada. A experiência adquirida em Paris e Bruxelas, sua participação na organização do movimento operário francês e, além disso, suas primeiras ligações operárias internacionais e, sem dúvida, a reflexão sobre os erros de Proudhon, lhe permitem, pela primeira vez, apreender a realidade de forma mais completa e esclarecer outros aspectos ainda não tratados. O método marxista se revela apto a ser aplicado na vida real e na explicação da vida real.
Missão Previnir e Proteger: Condições de Vida, Trabalho e Saúde dos policíais Militares do Rio de Janeiro supre uma carência bibliográfica nos estudos de segurança pública, quase todos voltados para aspectos estratégicos ou técnicos da questão e, omitindo
Mobilidade antirracista” coloca em questão um dos aspectos mais importantes e menos discutidos do racismo: a espacialidade. O racismo é relação social e, como toda relação, se materializa em um espaço constituído por determinadas condições históricas. Pensar a “raça” de forma crítica é, portanto, considerá-la um construto socioespacial. Com efeito, características físicas e práticas culturais são apenas o dispositivo que faz atuar sobre os indivíduos uma série de mecanismos de controle e de dominação. O tratamento dispensado pelo presente livro à questão da mobilidade urbana nos leva a refletir como o racismo opera na configuração dos espaços e na determinação das condições com que os corpos se movimentam em cidades organizadas pela lógica da exploração capitalista. Por isso, a luta antirracista consiste na formulação teórica e na realização de práticas políticas que quebrem as interdições raciais e de classe. – Silvio Luiz de Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, doutor em direito, professor e advogado.
Os ensaios deste livro debatem sobre a reforma psiquiátrica e sua interlocução com o poder, os modelos assistenciais. As autoras discutem que a Reforma Psiquiátrica, como um serviço que pretende ter características antimanicomiais, com abordagem psicossocial, perpassa, principalmente, pela compreensão e transformação dos saberes e das práticas dos profissionais envolvidos neste processo.
Zygmunt Bauman cumpre aqui sua missão de sociólogo, esclarecendo como se deu a transição da modernidade e nos auxiliando a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. É a essa tarefa que se dedica este livro. Analisando cinco conceitos básicos que organizam a vida em sociedade ― emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade ―, Bauman traça suas sucessivas formas e mudanças de significado. Modernidade líquida complementa e conclui a análise realizada pelo autor em Globalização: As consequências humanas e Em busca da política. Juntos, esses três volumes formam uma análise brilhante das condições cambiantes da vida social e política.
Estudos mostram que o pentecostalismo é a força propulsora da expansão evangélica no país. Com base nessa realidade, em entrevistas com bispos, padres e pastores, no relatório da pesquisa Spirit and Power, realizada em dez países, e na pesquisa Sensus, do Obrvatório das Metrópoles, ambas publicadas em 2006, o autor trabalha o conceito de pentecostalização para explicar engajamento político-eleitoral dos evangélicos no Brasil.
Apoiado em vasta bibliografia, além de atas e registros da câmara e textos da imprensa, o autor estuda o papel do higienismo sobre a saúde pública em São Paulo, no início do século 19. Analisa as implicações políticas à época, a influência do pensamento positivista e o crescimento da cidade em decorrência do café e da imigração, além de abordar os surtos de doenças como febre amarela e tuberculose. Um momento “em que a limpeza deixou de ser unicamente um elemento que denotava nobreza para assumir uma característica utilitária de preservação da saúde”. Mantovani expõe as ideias de autores ingleses, alemães, franceses e portugueses que influenciavam não apenas as concepções locais sobre saúde, mas também medidas político-administrativas adotadas pelos governos. Ele reflete sobre as relações entre autoridades públicas e os grupos populacionais – miseráveis, prostitutas, escravos – apontados como “culpados” pelo ambiente insalubre da cidade e pelas doenças que acometiam os paulistanos. Uma câmara municipal militarizada era responsável pela saúde pública, coagindo e castigando aqueles que ameaçavam o bem-estar do restante da população. “Curar era (e é) intervenção social, política e econômica”, diz o autor.
Nesta obra rigorosamente filosófica, Byung-Chul Han reflete, tomando como referência Kant, Heidegger, Lévinas e Canetti, entre outros, sobre a re-ação à morte para indagar a complexa tensão entre este conceito em relação aos de poder, identidade e transformação. Morte e alteridade se inspira na fenomenologia e na literatura contemporânea para contrapor as reações de ou a ênfase do eu ou o amor heróico na hora de encarar a morte. Além disso, mostra outra maneira de “ser para a morte” em um modo de tomar consciência da mortalidade que conduz à serenidade. Dessa maneira, tematiza-se uma experiência da finitude com a qual se aguça uma sensibilidade especial para o que não é o eu: a afabilidade.
O difundido retrato da suposta cordialidade brasileira, ilustrada pelos cenários carnavalescos ou pelo futebol, sistematicamente oculta a violência, latente ou explícita, do preconceito, da exclusão e da repressão sociais. A eficiência com que as elites ocultam essa face brutal de nossa sociedade exige um trabalho de rastreamento, de descobrimento de pistas que revelem o autoritarismo subjacente e forneçam uma interpretação mais justa. Os ensaios que compreendem este livro têm por objetivo justamente levar a cabo essa tarefa ao criticar a imagem e autoimagem da República.
Sistematizando anos de estudos e elaborações em torno da temática da diversidade sexual e de gênero, Renan Quinalha compartilha neste livro reflexões teóricas e historiográficas em linguagem acessível, sem renunciar à profundidade das discussões, com o objetivo de atingir um público mais amplo interessado no universo LGBTI+. Esta obra destina-se tanto a pessoas que desejam investigar a fundo essa temática como àquelas que estão dando seus primeiros passos nos estudos de gênero e sexualidade. Ela é, sobretudo, um convite à ação política e à luta por igualdade, diversidade e democracia.
As universidades brasileiras, institutos de pesquisa e mesmo os movimentos camponeses de nosso país têm pouca informação sobre as muitas e diferentes formas de organização de agricultores e de camponeses em escala internacional. Os autores deste livro realizam uma radiografia cuidadosa de praticamente toda as articulações internacionais dos mais variados setores sociais que atuam no campo, analisando sua composição regional, de classe e ideológica, suas relações com ONGs e instituições internacionais e como eles enfrentaram o neoliberalismo global.
A proposta deste livro não é a de encerrar a relação movimentos sociais-autonomias como a única relação teórica, analítica e política possível e como um campo de estudos próprio e isolado. Bem pelo contrário, buscamos provocar o diálogo de campos de estudos que supostamente não se conversam. Neste sentido, seja desde a mirada institucionalista, seja desde a marxista ou ainda a anarquista, o que é certo é que as discussões sobre as lutas sociais latino-americanas nunca cessaram e nem cessarão. No entanto, pensar tais lutas pela lente dos movimentos sociais por si só já não é tarefa exatamente dada; menos dada ainda é a tarefa de pensá-las através do par conceitual movimentos sociais-autonomias e suas relações com os Estados e o capital na região.
O presente livro aborda as complexas relações entre movimentos sociais e agentes e instituições do Estado no processo de formulação e implementação das políticas públicas ao longo dos governos Lula e Dilma Rousseff. A multiplicidade de enfoques das análises aqui presentes fornece uma robusta contribuição para o conhecimento sobre as interações – frutíferas, mas com enormes desafios – entre movimentos sociais e Estado na produção de políticas públicas, auxiliando os embates vindouros neste árduo processo de construção da democracia brasileira.
Desdobramento natural da mostra de 30 painéis organizada para acompanhar o Congresso Internacional "Sinais de Jorge de Sena", em 1998, homenageia os artistas lusos que viveram e trabalharam no País, interagindo de forma marcante com a cultura nacional.
Este livro procura apresentar, analisar e discutir as vulnerabilidades das zonas úmidas, subúmidas e secas do estado de Pernambuco frente aos potenciais impactos das mudanças climáticas e discutir possíveis adaptações a estes impactos.
Como compreender melhor as relações entre as intensas mudanças climáticas e os riscos à saúde humana? Com linguagem acessível e pautada na ciência, o livro Mudanças Climáticas, Desastres e Saúde busca dar contribuições para o público sobre um tema fundamental. Organizado por Christovam Barcellos, Carlos Corvalán e Eliane Lima e Silva, o título pretende contribuir com estratégias para aumentar a resiliência do setor Saúde e das comunidades em face das mudanças climáticas e seus impactos. A obra mostra que mudanças ambientais e climáticas interagem entre si, abordando como a complexa relação entre saúde e ambiente vem sendo cada vez mais discutida. Apesar de avanços na saúde e considerando um aumento na expectativa de vida no Brasil, diversos estudos apontam que, nas últimas décadas, desequilíbrios ambientais têm causado efeitos negativos à sociedade, afetando direta e indiretamente a saúde humana. No país, os desastres de origem climática que mais se destacam têm origem em processos hidrológicos - chuvas intensas, inundações bruscas, deslizamentos de terra relacionados às chuvas e inundações graduais - e climatológicos (secas, estiagens e crises hídricas). Composto por 12 capítulos, o título reúne cerca de 30 especialistas das mais diversas áreas, confirmando a "inquestionável capacidade técnico-científica de pesquisadores brasileiros que se dedicam à temática da mudança climática nos seus diferentes aspectos", conforme destaca Thelma Krug, vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, no texto de orelha do livro. "É através desses capítulos que nós vamos conhecer alguns casos de desastres, como secas, inundações, deslizamentos de terra, que têm afetado, direta ou indiretamente, a população. Alguns desses impactos são imediatos, causando óbitos e perdas materiais, mas vários deles são relacionados a questões de habitação estruturais, saneamento, organização social e política local, além da geologia e outras características do terreno", resume Christovam Barcellos.
Este livro apresenta um conjunto de trabalhos que problematizam a sociedade contemporânea e a saúde. Mais especificamente, dialogam na interface da teoria social, saúde pública e as profundas mudanças sociais na atualidade. Essas questões são discutidas sob diferentes enfoques temáticos que, no livro, encontram-se organizados em quatro partes. A primeira, problematiza o mundo contemporâneo e os processos em saúde-doença, a segunda, resgata e discute o pensamento social em saúde no Brasil a partir dos anos de 1980 com a estruturação do campo da Saúde Coletiva, a terceira, aborda criticamente a produção do biológico e o social na saúde
"Este livro mostra como navios entram em garrafas e como eles saem delas de novo. Os navios são porções de conhecimento, e as garrafas são a verdade. O conhecimento é como um navio porque, uma vez na garrafa da verdade, parece que sempre esteve ali e parece que nunca mais vai sair de novo... Nosso mundo é cheio de navios já alojados dentro de suas garrafas, e somente poucas pessoas conseguem vislumbrar a arte do construtor de navios dentro de garrafas." Sem dúvida um dos melhores livros de Harry Collins, MUDANDO A ORDEM mostra como o conhecimento científico é acordado, transmitido e modificado ao longo do tempo. Assim, o valor da réplica experimental para solucionar controvérsias científicas - onde o que é certo ou errado ainda não está definido - é questionado e o conceito de "regressão dos experimentadores" é introduzido. Essa insuficiência do método científico para dar conta de controvérsias científicas abre, então, o caminho para a análise da construção social do conhecimento científico e, portanto, de qualquer tipo de conhecimento.
Na presente obra, Ethel nos mostra uma escrita cativante, delicada e, ao mesmo tempo, forte e contundente, como foi o tempo vivido nesse período de dois anos refletido na obra. Trata-se de um relato pessoal e sensível, com reflexões profundas. Contudo, também discorre sobre o trabalho coletivo, os muitos momentos de atuação conjunta com tantos profissionais, estudantes e gestores no enfrentamento da pandemia da Covid-19. Em vários trechos, podemos perceber a força, a coragem e a maneira como Ethel enaltece a resistência das mulheres nestes tempos tão sofridos que temos vivido, pois elas estiveram não só na linha de frente, como também nos lugares onde atuaram na gestão da crise sanitária. A sua narrativa, tão particular e especial, é um convite para espelharmos o que também queremos e podemos fazer.
Ciência é lugar de Mulher?! Esse livro mostra que, sem dúvida, a resposta é sim. Através dele, conhecemos a trajetória de sucesso de mulheres em diferentes campos do conhecimento científico. Mas, se esses relatos registram a presença feminina, inclusive em áreas ainda predominantemente masculinas, registram, também, os obstáculos enfrentados pelas cientistas, que vão desde a resistência dos colegas e das instituições até a dupla jornada de trabalho, na medida em que a responsabilidade pelas tarefas domésticas e pelo cuidado dos filhos continua a ser considerada atribuição feminina. Portanto, esse livro mostra, também, que somente quando superarmos as desigualdades de gênero na nossa sociedade, as mulheres poderão ocupar o espaço que lhes cabe no desenvolvimento científico do país.
Por muitos anos na minha trajetória como escritora ouvi a seguinte frase: “Todas as histórias já foram contadas”. Assim, nos restaria apenas contar, mais uma vez, as mesmas histórias, no máximo a busca estética, a inovação formal. Até que um dia, não muito tempo atrás, iniciou-se o que podemos chamar de uma mudança de paradigma em nossa sociedade. Mudança impulsionada pelas lutas sociais e pelas transformações políticas do início dos anos 2000. E assim, de um momento ao outro, nos vimos diante do óbvio: não é verdade que todas as histórias já foram contadas; pelo contrário, se analisarmos com atenção perceberemos que na realidade apenas uma única história havia sido contada, a história daqueles que detém o poder. Uma história colonial que exclui a maioria. Porque, sim, as minorias nada mais são do que a imensa maioria deste país. Então, nesse contexto, Mulheres de terra e água tem muito a nos ensinar. Se tivermos a capacidade de ouvir. Não como quem ouve uma história distante, mas com a atenção de quem ouve um relato que é nosso porque é o relato do Brasil. Porque a vida dessas mulheres, suas dificuldades, lutas e esperanças têm seu aspecto pessoal, mas é também um ato político.
Mulheres do Brasil – A história não contada resgata a história de mais de 200 mulheres das mais variadas épocas que tiveram suas biografias alteradas, deturpadas ou que simplesmente sequer apareceram nos registros convencionais. Depois de desmistificar as figuras dos imperadores D. Pedro I e d. Leopoldina, o escritor e pesquisador Paulo Rezzutti se dedica a mulheres conhecidas ou ignoradas pela história do Brasil: das guerreiras às vilãs, das mulheres do poder a artistas. Também ilumina trajetórias pouco conhecidas de indígenas e negras escravizadas e avança até os dias atuais, com mulheres como Marielle Franco, a vereadora carioca assassinada em março de 2018 por “ousar” não ser invisível. O livro chega num momento em que a discussão sobre o papel das mulheres na sociedade se intensifica, surpreendendo o leitor ao reapresentar acontecimentos da história do Brasil com as personagens femininas finalmente reinseridas nos papeis de destaque que lhes foram negados pela narrativa oficial.
"Aborda o encontro entre os discursos e práticas sobre a saúde e o envelhecimento oriundos da biomedicina, da epidemiologia e da promoção da saúde com a experiência que constitui uma “tia” no mundo do samba. Com esse intuito, apresenta e analisa vivências das mulheres integrantes da Ala dos Cabelos Brancos, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano, e de compositores e sambistas que integram esse universo cultural, além de dialogar com autores de diversos campos do pensamento. A partir desses depoimentos, a autora investiga como as senhoras do samba lidam com as representações e conceitos de vida saudável, e se elas demonstram algum tipo de resistência à medicalização da vida, entre outros aspectos. O conteúdo constrói um viés crítico sobre a produção e circulação de discursos e práticas ligados à medicalização da vida e sua promessa de saúde e longevidade calcada na adoção de um modo de viver baseado na hiperprevenção."
Por que voltar a falar, hoje, sobre caça às bruxas? Em Mulheres e caça às bruxas, Silvia Federici revisita os principais temas de um trabalho anterior, Calibã e a bruxa, e nos brinda com um livro que apresenta as raízes históricas dessas perseguições, que tiveram como alvo principalmente as mulheres. Federici estrutura sua análise a partir do processo de cercamento e privatização de terras comunais e, examinando o ambiente e as motivações que produziram as primeiras acusações de bruxarias na Europa, relaciona essa forma de violência à ordem econômica e argumenta que marcas desse processo foram deixadas também nos valores sociais, por exemplo, no controle da sexualidade feminina e na representação negativa das mulheres na linguagem. A partir desse debate, a autora nos mostra como as acusações e a punição de “bruxas” se repete na atualidade, especialmente em países como Congo, Quênia, Gana e Nigéria, na África, e Índia. Com apresentação da estudiosa Bianca Santana, a obra conta também com orelha de Sabrina Fernandes e quarta capa da socióloga Maria Orlanda Pinassi e quarta capa da socióloga Maria Orlanda Pinassi.
Com o objetivo de divulgar o trabalho realizado pelos docentes e estudantes do Programa na produção de conhecimento ancorado aos princípios epistemológicos feministas e na luta contra a discriminação, a obra apresenta dez artigos de diferentes autores e autoras, dentre elas Ana Alice Alcântara Costa, organizadora do livro Estudos de gênero e interdisciplinaridade no contexto baiano, publicado em 2012 pela Edufba.
A segunda década do século XXI recolocou o ativismo das mulheres, com força e garra, nas ruas, nas universidades, nas performances, na organização de coletivos. Isso ocorreu não apenas no Brasil, como também em muitos outros países. A cidadania feminina passou a ser vista como um ponto fundamental de garantia de uma democracia efetiva. Entre outros motivos, uma das razões para esse novo despertar se deu porque, apesar dos avanços na educação e no trabalho, nos estudos sobre as razões das discriminações de sexo, raça e identidades, persistem as evidências da desigualdade no mercado de trabalho e na família e a violência contra as mulheres. As mulheres fizeram a sua parte, entretanto não receberam em troca uma recompensa à altura de seus avanços.
Nova edição do best-seller de Mary Beard Neste livro corajoso, Mary Beard traça as origens da misoginia, examinando as armadilhas e os percalços de como a história maltratou mulheres fortes desde os tempos mais antigos. Passando por figuras contemporâneas, como políticas e personagens míticas, Beard questiona as suposições sociais sobre a relação entre o poder e a feminilidade – e como mulheres poderosas oferecem exemplos necessários de como todas devem reagir às forças que tentam encerrá-las em paradigmas e discursos masculinos. A partir de reflexões sobre suas experiências pessoais com o sexismo, Beard pergunta: se as mulheres não são consideradas dentro das estruturas de poder, não E quantos séculos vamos ter que esperar para que isso aconteça?
Como a coleta e o uso dos dados contribuem para o enorme desequilÍbrio entre as experiências de homens e mulheres na sociedade Desde o controle do fogo e o domínio da agricultura até as evoluções tecnológicas da atualidade, as conquistas dos seres humanos sempre começaram com a observação do mundo, algo conhecido hoje como coleta de dados. Como base da ciência, são os dados que determinam a alocação de recursos públicos e privados, ditando o rumo da sociedade. Porém, o caráter científico dos dados esconde um lado perverso: as mulheres não são — e nunca foram — contempladas por eles. Isso é o que revela Caroline Criado Perez em Mulheres invisíveis. Nessa obra, a autora reúne estudos de caso que explicitam como o olhar predominante considera que o homem é o padrão e as mulheres são atípicas. Dessa forma, mesmo quando os dados abrangem o universo feminino, acabam sendo ignorados na prática, o que aprofunda na base a desigualdade de gênero. Inovadora em sua abordagem, Caroline coloca em números o sofrimento de metade da humanidade, provando que o preconceito de gênero é muito mais que uma questão subjetiva. Uma leitura transformadora e inesquecível, que mudará a maneira como você enxerga o mundo.
Tome essa obra em suas maos e leia-a com a forca da alma. A mesma trata-se de historias de mulheres, mulheres na saude. Um dialogo aberto de 20 anos, mas encontros possiveis e imprevisiveis de tres anos de trabalho acompanhando as ACS em seus varios movimentos, idas e vindas a Brasilia em busca de valorizacao politica do seu trabalho e do reconhecimento social de seus feitos.
Ouvimos e aprendemos sempre a história e o passado do colonizador, nunca por meio das vozes dos colonizados. É nesse contexto, que Luana Ramalho Martins, por meio do paradigma afrocentrado e da escrevivência, visibiliza as vozes de três mulheres negras de Venâncio Aires, interior do estado do Rio Grande do Sul, para demonstrar a potência do autocuidado em saúde em territórios majoritariamente brancos, como processo coletivo e promotor de resistências sociais.
A Editora Contracorrente tem a satisfação de anunciar a publicação do livro Mulheres que interpretam o Brasil, organizado pelos professores e pesquisadores Lincoln Secco, Marcos Silva e Olga Brites. Assinada por uma constelação de consagrados estudiosos das ciências humanas, esta importante e necessária obra dedica cada um de seus 45 artigos a grandes mulheres brasileiras cujas trajetórias pessoal e profissional impactaram enormemente a história do país, mas que, quase sempre, tiveram seus feitos obscurecidos e suas vozes silenciadas pela história oficial – branca, masculina, patriarcal e burguesa.
Vozes historicamente silenciadas encontram em Mulheres quilombolas espaço para compartilhar saberes a partir de suas perspectivas, como faziam nossos ancestrais reunidos em torno do fogo, no ritual de transmissão e perpetuação de conhecimentos basilares para a comunidade. As autoras trazem para a roda uma diversidade de pautas em geral invisibilizadas na sociedade, contribuindo com suas visões de mundo, seus conhecimentos acadêmicos e suas experiências de vida para abrir novas possibilidades de debate. Assumindo o lugar de guardiãs dos saberes ancestrais, de lideranças políticas, de mulheres racializadas na sociedade, expõem em suas reflexões os muitos atravessamentos que a discussão em torno do que é ser mulher quilombola abarca.
Os lobos foram pintados com um pincel negro nos contos de fada e até hoje assustam meninas indefesas. Mas nem sempre eles foram vistos como criaturas terríveis e violentas. Na Grécia antiga e em Roma, o animal era o consorte de Artemis, a caçadora, e carinhosamente amamentava os heróis. A analista junguiana Clarissa Pinkola Estés acredita que na nossa sociedade as mulheres vêm sendo tratadas de uma forma semelhante. Ao investigar o esmagamento da natureza instintiva feminina, Clarissa descobriu a chave da sensação de impotência da mulher moderna. Seu livro, Mulheres que correm com os lobos, ficou durante um ano na lista de mais vendidos nos Estados Unidos. Abordando 19 mitos, lendas e contos de fada, como a história do patinho feio e do Barba-Azul, Estés mostra como a natureza instintiva da mulher foi sendo domesticada ao longo dos tempos, num processo que punia todas aquelas que se rebelavam. Segundo a analista, a exemplo das florestas virgens e dos animais silvestres, os instintos foram devastados e os ciclos naturais femininos transformados à força em ritmos artificiais para agradar aos outros. Mas sua energia vital, segundo ela, pode ser restaurada por escavações psíquico-arqueológicas nas ruínas do mundo subterrâneo. Até o ponto em que, emergindo das grossas camadas de condicionamento cultural, apareça a corajosa loba que vive em cada mulher. Clássico dos estudos sobre o sagrado feminino e o feminismo, o livro é o primeiro de uma série de longsellers da Rocco a ganhar edição com novo projeto gráfico e capa dura.
Combater as violências que inibem diversas formas de existência é um passo fundamental para a promoção do aprimoramento humano. Para isso, precisamos identificar e dar visibilidade às diversas formas de expressão da violência e dos efeitos por elas produzidos. Sabemos que este é um trabalho contínuo e que deverá acompanhar a trajetória da humanidade, identificando, a cada momento histórico, o modo como grupos hegemônicos se impõem a outros indivíduos e/ou grupos, negligenciando e/ou violando suas demandas. Ao enfocar em violências vivenciadas por mulheres na sociedade brasileira de hoje, buscamos realizar, evidentemente, uma parte minúscula desta tarefa, mas, nem por isso, menos urgente. Esperamos que esta pesquisa incentive outras mulheres, assim como também outros indivíduos e/ou grupos, a denunciarem as distintas formas de violência que cerceiam a construção de identidades plenas e a conquista de vidas realizadas. Nós, mulheres autoras deste livro apresentamos nossas violências vividas na pluralidade de nossas existências e de nossos saberes.
Nesta compilação de discursos e artigos, a ativista política Angela Davis apresenta um balanço de sua luta por uma mudança social progressista. Dividida em três eixos temáticos, "Sobre as mulheres e a busca por igualdade e paz", "Sobre problemas internacionais" e "Sobre educação e cultura", a obra aborda as mudanças políticas e sociais pelas quais o mundo passou nas últimas décadas em relação à igualdade racial, sexual e econômica. A autora traz dados históricos e estatísticos detalhados sobre as condições das mulheres, da classe trabalhadora e da população negra nos Estados Unidos durante o governo Reagan, mostrando como a política adotada naquela administração operou para enfraquecer esses grupos sociais. Mostra, ainda, as influências das políticas norte-americanas em países da América Central, da África e do Oriente Médio, destacando o impacto que tiveram para fortalecer um movimento econômico mundial de concentração de renda e enfraquecimento das lutas sociais em vários países do mundo. Ao mesmo tempo, ela faz reflexões importantes sobre a resistência representada pelos movimentos sociais e sobre o potencial de conscientização e contestação da educação e das artes, em especial a pintura, a fotografia e o blues. Por meio dessa reflexão, ela argumenta que a convergência dos diversos grupos, em diferentes países, em torno de interesses comuns é essencial para a construção de um mundo menos desigual.
Este livro tem como objetivo compreender, de diferentes perspectivas, o lugar das mulheres na ciência e na política, ontem e hoje. Investiga como elas foram e são invisibilizadas nesses espaços de poder, sobretudo no Brasil. E como vão, paulatina e arduamente, conquistando seu lugar (ainda desigual, mas maior do que no passado não tão distante). Analisa, também, o papel e a presença das mulheres na construção, na autonomização e na expansão do campo disciplinar da ciência política no Brasil e na América Latina, oferecendo uma contribuição preciosa para o conhecimento da história da disciplina, raramente contada a partir da experiência feminina.
Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, é uma obra fundamental para se entender as nuances das opressões. Começar o livro tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma pela qual a mulher negra foi desumanizada, nos dá a dimensão da impossibilidade de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além disso, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade.
Integrando a coleção Dois pontos, Mundo do crime conta com artigos dos pesquisadores Gabriel Feltran e Michel Misse, em que tratam figura do criminoso e de como ele é tratado: Feltran explora a construção de um personagem a partir da música Tô ouvindo alguém me chamar, dos Racionais MC’s e da busca por respeito nas “quebradas” de São Paulo. Já Misse traz dois filmes, um americano (Alma torturada, de Frank Tuttle) e um brasileiro (Vida e morte de um bandido, de Victor Lima), para discutir a figura do bandido e o sistema de olhares destinado a esses personagens.
Este livro expressa um momento da trajetória de um pensador e de seus colaboradores na inquietude da sua crítica à sociedade capitalista e também na busca incessante de experiências que apontem para a superação do capital. Henrique Tahan Novaes confronta, nessa obra, a Era da Barbárie e os embriões de trabalho emancipado que se projetam das lutas anticapitalistas, seja nas experiências de empresas recuperadas pelos trabalhadores, de trabalho associado, cooperativo e autogestionário, dos mutirões habitacionais, das lutas de outros movimentos sociais, como as lutas pela agroecologia etc. Talvez o eixo que perpassa os textos aqui reunidos seja a aposta na autogestão dos trabalhadores e na autonomia dos movimentos de luta anticapital como processos educativos de emancipação dos trabalhadores associados para a produção e reprodução dos meios de vida. Essa inquietação crítica que move o autor e seus colaboradores é, nos dias de hoje, imprescindível para fazer frente à barbárie que avança na atual crise estrutural do capital. - MAURÍCIO SARDÁ DE FARIA | UFRPE
Gilberto Velho (1945-2012) é uma referência na aproximação entre as ciências sociais portuguesas e brasileiras. Por meio de uma generosa e sistemática colaboração científica entre ambos os países, Gilberto Velho contribuiu, de forma única e incansável, para o desenvolvimento da sociologia e da antropologia urbana em língua portuguesa. Este livro reúne um conjunto de investigadores portugueses e brasileiros de diferentes gerações, tocados pelo impacto pessoal e intelectual de Gilberto Velho (1945-2012). Seus testemunhos pessoais e acadêmicos ajudam a compreender aspectos importantes de sua obra e da contribuição que deu à aproximação entre cientistas sociais brasileiros e portugueses.
Para fazer este livro, Yaguarê Yamã reuniu histórias que já conhecia a outras que ouviu de membros ilustres do povo Maraguá. E, mais uma vez, o autor cumpre de maneira simples e bela seu objetivo de mostrar a cultura indígnea para os não-índios moradores da cidade.
Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. Ainda que não seja uma biografia, em Na minha pele Lázaro compartilha episódios íntimos de sua vida e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos. Um livro sincero e revelador, que propõe uma mudança de conduta e nos convoca a ser mais vigilantes e atentos ao outro
Como a prática médica, a pesquisa científica e a vida real se relacionam? Nos quatros ensaios que compõem este livro, Olavo Amaral oferece uma perspectiva única e ao mesmo tempo diversa sobre essa complexa relação. Em “Novembro cinza”, o autor questiona a suposta relevância e eficácia da campanha contra o câncer de próstata, um dos mais comuns entre a população masculina.
A presente obra, oriunda da pesquisa do pós-doutorado, realoca para o centro do debate da Saúde Mental, da Criminologia e dos Direitos Humanos a saúde mental das mulheres negras. A partir de uma atuação profissional mergulhada no tripé ensino, pesquisa e extensão buscou-se pela lógica da encruzilhada tecer uma análise teórica e prática que tenha como base o pensamento decolonial, antirracista e antimanicomial. Dessa maneira, objetivou-se apresentar a/o leitora/leitor a produção do sofrimento e do adoecimento psíquico materializada nos modos de vida e processos de subjetivação das mulheres negras brasileiras, a partir das experiências de mães de vítimas de violência armada. Na cena contemporânea, está ocorrendo a intensificação da psiquiatrização, psicologização, medicalização, patologização e farmacologização das particularidades e singularidades, reduzindo-se a experiência do sofrimento e/ou adoecimento psíquico como um problema individual. Assim, torna-se urgente identificarmos as expressões desse fenômeno na experiência de corpos e subjetividades periféricos e favelados. Nesse caminho, espera-se proporcionar inquietações e contribuições demonstrando que a aniquilação da população negra atravessa todas as dimensões da vida social, e aqui, destaca-se a saúde mental. Para isso torna-se necessário a ampliação do debate com diferentes saberes possibilitando desvelar as contradições basilares da sociedade brasileira. Portanto, é preciso fortalecer a luta antimanicomial para que seja radicalmente antirracista, decolonial e feminista e, assim, se afirme a liberdade, a emancipação e os direitos humanos.
Nos últimos milênios o ritmo da História tem variado conforme as regiões, climas e culturas. Mas tem sempre convivido com momentos de doença e saúde, com endemias, epidemias e agora pandemias. Momentos de crise, a desafinar as cordas, a desorganizar os ritmos cotidianos, a atravessar o samba, como diriam velhos frequentadores de rodas noturnas. Nesses momentos, questões como desigualdade e exclusão social; boatos, notícias inventadas e trocas de acusação; desprezo pelo conhecimento especializado e apego a soluções mágicas; crises econômicas e superações coletivas têm sido parte do movimento humano de reinvenção da vida. Este livro se propõe a apresentar e refletir sobre algumas dessas experiências, vividas por pessoas em tempos e lugares variados. Foram escritos por pessoas espalhadas por larga parte do território brasileiro; como bem mostra a composição de imagens da capa, da janela de sua casa cada autor, cada autora tem uma perspectiva diferente do mundo. É esta diversidade de pontos de vista, conteúdos, formações teóricas e vivências que forma a maior riqueza deste livro.
Esta obra do célebre botânico italiano Stefano Mancuso faz das plantas protagonistas da política urbana. Cada capítulo é um artigo da constituição que o autor redige para a Nação das Plantas, expressão pela qual o leitor é convocado a reconhecer o mundo vegetal como uma comunidade compartilhada de indivíduos. O objetivo de Mancuso é claro: sensibilizar as pessoas aos pormenores da existência complexa e necessária das plantas, esses seres tão familiares como desconhecidos pela maior parte de nós, e com os quais, entretanto, compartilhamos o mesmo mundo e o mesmo destino.
Este livro é sobre prazer. É também sobre sofrimento. Mas mais importante, é um livro que trata de como encontrar o delicado equilíbrio entre os dois, e por que hoje em dia, mais do que nunca, encontrar o equilíbrio é essencial. Estamos vivendo em uma época de excessos, de acesso sem precedentes a estímulos de alta recompensa e alta dopamina: drogas, comida, notícias, jogos, compras, sexo, redes sociais. A variedade e a potência desses estímulos são impressionantes - assim como seu poder adictivo.
Neste livro, a Dra. Anna Lembke, autora do best-seller Nação dopamina , volta o seu olhar para as forças invisíveis que estão por trás da dependência em diversos medicamentos receitados todos os dias para jovens, adultos e crianças. Nos dias de hoje, a velocidade do mundo promove pílulas como soluções rápidas. Como se não bastasse, as grandes corporações farmacêuticas em conjunto com os planos de saúde se valem de uma burocracia que estimula o uso de comprimidos, a indicação de procedimentos muitas vezes protelatórios e a solução provisória dos problemas em vez de promover o bem-estar do paciente a longo prazo.
Gláucio Ary Dillon Soares analisa o homicídio numa perspectiva histórica e comparada: no Brasil e no mundo, através dos tempos. Utilizando diferentes pontos de vista teóricos e metodológicos, ele correlaciona essas mortes violentas com variáveis econômicas, culturais, demográficas e sociais: desenvolvimento econômico e social, urbanização, metropolização, favelas, migrações, densidade demográfica, idade, raça, gênero, estrutura da família, religião e religiosidade. A contribuição das políticas públicas, as teorias mais comuns e as questões metodológicas, inclusive a qualidade dos dados disponíveis, também passam pelo crivo analítico do autor.
Este livro gira em torno de coisas e não-coisas. Desenvolve tanto uma filosofia do smartphone quanto uma crítica da inteligência artificial a partir de uma nova perspectiva. Ao mesmo tempo, recupera a magia do sólido e do tangível e reflete sobre o silêncio que se perde no ruído da informação.
O livro reúne um conjunto diverso de estudos sobre diversidade sexual e de gênero, com uma seleção abrangente e inédita de trabalhos que marcam o conhecimento que se produziu sobre gênero e sexualidade nos últimos 20 anos nas ciências humanas, incluindo saúde coletiva, ciências sociais, direito, educação, psicologia e serviços sociais. Diante dos enfrentamentos colocados pelo cenário atual, os textos convidam à releitura das primeiras duas décadas deste século e apresentam uma abordagem acessível de temas que atingiram grande refinamento conceitual e analítico.
Muito tem sido enfatizado sobre a produção de conhecimento e saberes na dinâmica do cotidiano escolar, mas os sujeitos que a compõem, que dela participam e que possibilitam esta produção pouco espaço têm para se posicionarem. É esta intenção que este livro se propõe: divulgação das produções educativo-pedagógicas dos sujeitos deste cotidiano.
A obra se propõe a ampliar a reflexão de temas em saúde, fornecendo um panorama de conceitos e conteúdos para reafirmar a importância das narrativas no âmbito do trabalho e da educação em saúde coletiva. Em seis capítulos, eles apresentam aos leitores conceitos e informações essenciais para o entendimento da produção narrativa no campo da saúde coletiva. Logo no início, para fins de contextualização, é apresentada uma perspectiva histórica, conceitual e política da saúde coletiva. Em seguida, no segundo capítulo, é abordada a dimensão teórica da narrativa como ferramenta social.
Alimentação, nutrição, saúde e cultura se conectam nesta coletânea, que tem como objetivo apresentar a diversidade de discussões, linguagens e assuntos existentes em torno do comer. A obra reúne estudos de alguns autores nacionais, que se dedicam à análise do tema em vários sítios, buscando tratar sobre o “comer cotidiano”, condição íntima do ser humano que faz parte dos seus hábitos, desejos, culturas e subjetividades.
“Entranhas” é aquela parte do corpo humano essencial para sustentação da vida, mas que não é visível. Exatamente como acontece com aqueles que trabalham em silêncio, sem fazer muito alarde, a não ser em situações de crise, mas que são desconsiderados pelo discurso dominante na mídia e na cultura da elite. Este livro busca conciliar as discussões políticas e técnicas que envolvem a Atenção Primária, sem perder de vista as experiências vividas pelos profissionais, naquilo que elas têm de mais visceral, indo além das recomendações ou dos protocolos.
Nas Teias da Diplomacia resulta do trabalho conjunto de pesquisadores reunidos no Laboratório de História da Política Internacional Sul-americana. Voltado para o estudo da História das Relações Internacionais, o grupo parte de uma abordagem interdisciplinar que relaciona diversos agentes e processos históricos, de modo a romper com uma perspectiva institucional e estadocêntrica. Neste livro, ganham destaque as teias, redes, relações pessoais e articulações de agentes diplomáticos, moldadas em diferentes esferas que transpassam diretamente a política externa do Império Brasileiro. Além disso, o contexto de formação dos Estados ibero-americanos é pensado através de um enfoque que os articula e relaciona a política doméstica à esfera internacional. O livro se insere, portanto, na necessidade de aprofundamento dos estudos sobre as relações internacionais, a política externa e seus agentes no Brasil do Oitocentos.
Este volume, fruto do trabalho do Ambulatório de Seguimento do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), abrange, de forma interdisciplinar, diferentes áreas clínicas e do desenvolvimento infantil, para dar conta da complexidade dos cuidados necessários voltados às crianças nascidas pré-termo
«Neste ensaio, propus que as formas contemporâneas que subjugam a vida ao poder da morte (necropolítica) reconfiguram profundamente as relações entre resistência, sacrifício e terror. Tentei demonstrar que a noção de biopoder é insuficiente para dar conta das formas contemporâneas de submissão da vida ao poder da morte. Além disso, propus a noção de necropolítica e de necropoder para dar conta das várias maneiras pelas quais, em nosso mundo contemporâneo, as armas de fogo são dispostas com o objetivo de provocar a destruição máxima de pessoas e criar “mundos de morte”, formas únicas e novas de existência social, nas quais vastas populações são submetidas a condições de vida que lhes conferem o estatuto de “mortos-vivos”. Sublinhei igualmente algumas das topografias recalcadas de crueldade (plantation e colônia, em particular) e sugeri que o necropoder embaralha as fronteiras entre resistência e suicídio, sacrifício e redenção, mártir e liberdade.» — Achille Mbembe
Ana Fontes traz uma rica análise sobre empreendedorismo no Brasil através do compartilhamento de seus aprendizados ao longo da carreira como empreendedora social e fundadora da Rede Mulher Empreendedora. A autora mostra a potência da liderança feminina na prática, com insights sobre fatores de risco, dicas sobre gestão financeira e o reforço da importância da criação de redes de apoio. Este livro é uma rica fonte de estudos para empreendedoras iniciantes e experientes. Luiza Helena Trajano afirma no prefácio: “(...) a leitura deste livro é de grande importância para essas mulheres empreendedoras que precisam avançar cada vez mais, quebrando paradigmas no mundo dos negócios e do empreendedorismo.

